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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Esmerino Cardoso



Esmerino Cardoso
 Circa 1900 Rio de Janeiro, RJ
Provavelmente inicou a carreira artística na década de 1920, tocando em bailes e orquestra pela cidade. Entre 1930 e 1932, fez parte de um grupo de músicos que acompanhou gravações de Francisco Alves e Mário Reis, numa série de disco que a dupla gravou naquele período. Dessa orquestra faziam parte os músicos Djalma Guimarães (trompete), Ismerino Cardoso (trombone), Valfrido Silva (bateria), Luperce Miranda (cavaquinho e bandolim), Tute (violão) e Custódio Mesquita (piano), e acompanhava as apresentações de Francisco Alves e Mário Reis, no Teatro Lírico, no Rio de Janeiro. Em 1955, a Odeon lançou um LP reunindo 9 das composições feitas pelos cantores Mário Reis e Francisco Alves na década de 1930. Na contra capa do disco o pesquisador Lúcio Rangel assim se referiu ao conjunto que acompanhou os cantores: "todos eles constituídos pelos mesmos músicos, alguns dos melhores da época: o pistonista Djalma, o trombonista Ismerino Cardoso, o pianista Romualdo Peixoto [Nonô], o baterista Walfrido Silva, o violonista Arthur Nascimento [Tute] e Luperce Miranda, mestre do cavaquinho e do bandolin. Outros instrumentistas estão presentes mas os que enumeramos eram constantes em todos os conjuntos que acompanhavam a dupla". Por volta de 1958, o jornalista Lúcio Rangel escreveu a contra capa para o LP "Para sua festa - Com o Sexteto Espetacular". Nesse texto contou a seguinte história que atesta as qualidades do trombonista Ismerino Cardoso: "O instrumentista brasileiro é, muito justamente, considerado como dos melhores do mundo, pela sua técnica apurada e pela sua versatilidade, adaptando-se aos mais variados ritmos, sentindo-os como se fossem originários do seu próprio país. Para qualquer instrumento poderíamos apontar, no mínimo, meia dúzia de especialistas capazes de rivalizar com quaisquer outros do mundo. É famoso o caso ocorrido quando da estadia do notável Leopold Stokowski no Rio de Janeiro. Ia o conhecido regente realizar no Teatro Municipal um dos seus concertos. A casa repleta, aguardava o início do espetáculo. Nos bastidores, grande agitação, É que adoecera, subitamente, o trombonista encarregado de importante passagem de uma das peças a serem executadas. Impossível substituí-lo por qualquer outro músico presente. Foi quando lembraram o nome de um trombonista brasileiro "Ismerino cardoso" mestre do seu instrumento. Mas, onde andaria ele? Indaga-se daqui e dali, descobre-se, finalmente, que ele estava trabalhando. Mas onde? Por incrível que pareça, num dos dancings populares da cidade. Stokowski ficou desapontado, Como poderia um músico de dancing interpretar como solista a difícil e sutil passagem constante do programa? Sem outro recurso, mandaram vir Ismerino. Chegou despreocupadamente, com seu largo sorriso e tranquilidade em todas as atitudes. Parecia que saira de um dancing e entrara em outro. Não havia tempo para ensaios. O pano de boca se abriu e começou a execução da grande orquestra. O maestro, nervoso, aguardava a passagem do trombonista. Este, que nunca vira a partitura colocada à sua frente, começou sua execução, com a facilidade dos mestres, tal como se estivera tocando um sambinha repinicado para os frequentadores de um clube popular. Stokowski não escondeu o seu assombro. Findo o número, beijou, à moda europeia, a face morena e brasileira do trombonista Ismerino Cardoso, que, confessava, nada mais fizera do que ler o que estava escrito em sua frente, e isso ele sabia".

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